Anatomina da Pele

Anatomina da Pele

1.1 Anatomofisiologia do Sistema Tegumentar

O Sistema Tegumentar é constituído pela pele e tela subcutânea, juntamente com os anexos cutâneos (GUIRRO; GUIRRO, 2002).
O tegumento recobre toda a superfície do corpo e é constituído por uma porção epitelial, a epiderme, e uma porção conjuntiva, a derme. Abaixo e em continuidade com a derme está a hipoderme, tela subcutânea, que embora tenha a mesma origem e morfologia da derme não faz parte da pele, a qual é formada apenas por duas camadas. A hipoderme serve de suporte e união da derme com os órgãos subjacentes, além de permitir à pele uma considerável amplitude de movimento (PALASTANGA, 2000).

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Figura 1: Sistema tegumentar

As funções realizadas pelo sistema tegumentar são: proteção, regulação da temperatura do organismo, excreção, sensibilidade tátil e produção de vitamina D (GUYTON; HALL, 1997).
Spence (1991) acredita que a respeito da nutrição da pele, como é típico em todos os epitélios, não há vasos sangüíneos na epiderme, embora a derme subjacente seja bem vascularizada. Como resultado, o único meio pelo quais as células da epiderme pode obter alimento é através da difusão dos leitos capilares na derme. Este método é suficiente para as células mais próximas da derme, porém à medida que essas células se dividem e são empurradas para a superfície do corpo, ficam mais longe da fonte de alimento e morrem.
A pele constitui o mais extenso órgão sensorial do corpo, que recebe estímulos táteis, térmicos e dolorosos. O seu teor de água é de cerca de 70% do peso da pele livre de tecido adiposo, contendo perto de 20% do conteúdo total de água do organismo. Corresponde a 16% do peso corporal aproximadamente, apresenta uma superfície aproximada de 1,50m e sua espessura situa-se entre 0,5 e 4 milímetros sendo considerada impermeável, elástica e móvel, protegendo o organismo contra a perda de água e contra o atrito (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 1999).
Guirro e Guirro (2002), relatam que a pele é o mais sensível de nossos órgãos, nosso primeiro meio de comunicação e nosso mais eficiente protetor, sendo aí localizada a primeira e última linha de defesa. É considerada a base dos receptores sensoriais, localização do sentido do tato; fonte organizadora e processadora de informações; mediadora de sensações; barreira entre o organismo e o meio ambiente; fonte imunológica de hormônios para diferenciação de células protetoras; protetora contra os efeitos da radiação, traumas mecânicos e elétricos; barreira contra materiais tóxicos e organismos estranhos; reguladora da pressão e do fluxo sangüíneo e linfático; regulação da temperatura; responsável pelo metabolismo e armazenamento de gordura; reservatório de alimento e água; é importante na respiração; sintetiza compostos importantes como a vitamina D e funciona como barreira contra microorganismos.
A cor da pele é determinada pela presença de alguns pigmentos, dos quais o mais importante é a melanina, pigmento de cor marrom-escuro produzido pelos melanócitos, que migram na epiderme e transferem o pigmento às células da camada germinativa. E resulta de uma série de fatores, entre os quais de maior importância são: seu conteúdo em melanina e caroteno, a quantidade de capilares na derme e a cor do sangue que corre nesses capilares. As diferenças da cor da pele são devidas principalmente à quantidade de melanina produzida pelas células e sua distribuição. Os indivíduos de pele escura têm apreciável quantidade de melanina em todas as camadas da epiderme. O acúmulo escurece a pele filtrando os raios ultravioletas. O escurecimento da pele por exposição à luz solar ocorre inicialmente devido a um fenômeno biofísico que leva a um escurecimento rápido de parte da melanina preexistente, numa segunda etapa, pela aceleração dos processos de biossíntese da melanina. Hormônios do córtex adrenal agem sobre melanócitos e certas patologias dessa glândula promovem uma mudança na cor da pele. Além da concentração de melanina, a coloração da pele depende também da sua espessura e do grau de irrigação sangüínea (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 1999).

Os melanócitos, indicados por setas, são as células que não estão coradas e não contém melanina. São as células epiteliais que recebem a melanina e a acumulam, e aparecem com o pigmento castanho (veja as células que estão dentro do círculo).
figura2Figura 2: Melanócitos
Fonte: Disponível em: www.saudeparavoce.com.br

A pele é composta de duas camadas principais:

1) a epiderme, camada superficial composta de células epiteliais intimamente unidas.

2) a derme, camada mais profunda composta de tecido conjuntivo denso irregular (SPENCE, 1991).

A epiderme é a camada mais superficial da pele, desenvolve-se de um folheto único da superfície ectodérmica do embrião. Está em contato direto com o exterior e constitui a primeira barreira aos agentes externos. Apresenta espessura variável de aproximadamente 1,6 mm em regiões palmoplantares, e 0,4mm nas pálpebras (SPENCE, 1991).
A epiderme é um tecido epitelial estratificado pavimentoso queratinizado de origem ectodérmica, não possui vasos sangüíneos e linfáticos. Sua nutrição se faz por difusão e osmose a partir da derme papilar (GUYTON; HALL, 1997).
A epiderme é composta das camadas germinativa ou basal que é a mais profunda e assim denominada porque gera novas células e apresenta intensa atividade mitótica. Responsável pela constante renovação da epiderme que acontece a cada 20/30 dias, fornecendo células para substituir aquelas que são perdidas na camada da córnea. A superfície das células desse extrato que se apóia na membrana basal é irregular (PALASTANGA, 2000).

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Figura 3: Epiderme

Camada espinhosa que é denominada assim, porque as células dessa camada possuem um aspecto espinhoso. Esta célula tem importante função na manutenção da cessão das células da epiderme e consequentemente na resistência à outra camada (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 1999).
Azulay (1992) descreve que na camada granulosa o citoplasma das células desta camada caracteriza-se por conter grânulos de querato-hialina. À medida que o queranócito é empurrado da epiderme, torna-se cada vez menos hidratado, mais achatado e mais cheio de queratina. Como resultado, a queratina forma grãos (visíveis ao microscópio), e a epiderme passa a ser uma barreira eficaz. A camada granulosa é formada por células que já estão em franca degeneração, cujos sinais são os grânulos de queratina ou de melanina que estão no seu citoplasma.
Camada lúcida ou transparente que é constituída por várias camadas de células achatadas e intimamente ligada. É transformada em queratina, assim que as células desta camada tornam-se parte da camada córnea. Esta camada é mais proeminente em áreas de pele espessa, podendo estar ausente em outros locais. É difícil de ser observada, mas brilhante e homogênea (SPENCE, 1991).
Camada córnea que é a camada mais superficial da epiderme, formada de vários planos de células mortas e intimamente ligadas. É uma camada de pequena espessura (cerca de 20 micrômetros), e a capacidade de retenção hídrica conserva a superfície da pele macia. A camada córnea se desprende constantemente, havendo, pois, uma troca contínua da epiderme. No entanto, conforme a pele envelhece, a escamação deixa de ser uniforme, e a pele perde a sua lisura, tornando-se irregular e áspera (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 1999).
O limite entre a epiderme e a derme não é regular, mas caracteriza-se pela presença de saliências e reentrâncias das duas camadas que se embrincam e se ajustam entre si, formando as papilas dérmicas (GUIRRO; GUIRRO, 2002).
Logo abaixo da epiderme localiza-se a derme que é uma camada espessa de tecido conjuntivo, que fica entre a epiderme e a hipoderme onde se situam algumas fibras elásticas, reticulares e também muitas fibras colágenas. A derme é muito bem suprida por vasos sangüíneos, linfáticos e nervos, apresenta uma variação considerável de espessura nas diferentes partes do corpo, a espessura média é de 2 mm. A superfície externa é bastante irregular, observando- se as pápilas dérmicas (PALASTANGA, 2000).
Na derme encontra-se a camada papilar, que é delgada, constituída por tecido conjuntivo frouxo, derivando seu nome do fato de ser ela que penetra nas pápilas dérmicas. Possui fibrilas especiais de colágeno com função de prender a derme à epiderme. E a camada reticular, que é mais espessa, constituída por tecido conjuntivo denso e feixes de fibras colágenas que se entrelaçam em um arranjo semelhante a uma rede (GUIRRO; GUIRRO, 2002).

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Figura 4: Derme

Já a hipoderme não faz parte da pele. É conhecida como tela subcutânea ou panículo adiposo e é formada basicamente por feixes conjuntivos frouxos que assumem disposições especiais (GUYTON; HALL, 1997).
Essa camada é importante porque fixa à pele estruturas subjacentes e promove o deslizamento da pele sobre as estruturas na qual se apóia (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 1999).
Segundo Spence (1991), a tela subcutânea é bem suprida de vasos sangüíneos, terminações nervosas, folículos pilosos e glândulas sudoríparas.
A hipoderme compõe-se em geral de duas camadas, das quais a mais superficial, chamada de areolar, que é composta por adipócitos globulares e volumosas, em disposição vertical, onde os vasos sangüíneos são numerosos e delicados. Abaixo da camada areolar existe uma lâmina fibrosa, de desenvolvimento variável conforme a região, que é a fáscia superficial ou subcutânea. Esta fáscia separa a camada areolar da camada mais profunda, a camada lamelar, sendo que nesta ocorre aumento de volume de adipócitos, que chegam invadir a fáscia superficial. Na camada lamelar ocorre a maior mobilidade de gorduras quando o indivíduo obeso inicia um programa de redução ponderal (GUIRRO; GUIRRO, 2002).
A hipoderme pode ter uma camada variável de tecido adiposo, onde se deposita a maior parte de lipídios nas pessoas obesas, nas regiões como abdome e nádegas (SPENCE, 1991).
Essa parte da pele, além de funcionar como depósito nutritivo de reserva protege os vasos e os nervos que se localizam em níveis mais profundos e se ramificam até atingir níveis mais superficiais. O tecido adiposo apresenta outras funções como:
• Isolamento térmico, por ser um mal condutor de calor.
• Modela a superfície corporal, e dependendo do sexo se localiza em diferentes regiões.
• Coxins adiposos servem para absorção de choques (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 1999).

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Figura 5: Hipoderme

1.2 Anexos da Pele

Na pele são observadas várias estruturas anexas: os pêlos, as unhas e as glândulas (GUIRRO; GUIRRO, 2002).
Os pêlos se originam de uma invaginação da epiderme, o folículo piloso. Em certas regiões os pêlos apresentam desenvolvimento diferente e desempenham um importante papel de proteção, especialmente quando anexados às aberturas naturais do corpo. Quando secos, dificultam a dispersão de calor por imobilizarem a camada de ar em contato com a pele (AZULAY, 1992).

As glândulas sebáceas são, com raras exceções, encontradas em todas as regiões do corpo. Em geral estão anexadas aos pêlos, mantendo com estes um desenvolvimento inversamente proporcional, sendo mais numerosos, contudo de menor volume, nas regiões onde os pêlos são abundantes. Situam-se na derme e sua excreção é uma mistura complexa de lipídios, cuja função é a lubrificação da pele, além da ligeira ação bactericida (GUYTON; HALL, 1997).

Dois folhetos epidérmicos mais externos, a camada córnea e a camada lúcida são intensamente corneificados, formando as unhas. As unhas são lâminas córneas ligeiramente convexas no sentido longitudinal e fortemente no sentido transversal. Na sua extremidade proximal uma estreita prega da epiderme se estende sobre a superfície livre, formando o eponíquio (cutícula). A unha cresce a partir de uma matriz de células situada junto a sua raiz, na proporção de um milímetro por semana (GUIRRO; GUIRRO, 2002).

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Figura 6: Anexos dapele